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Notícia
Saúde - 10/09/2026 - 07:09:01
Setembro Amarelo: médica do TJAL reforça a importância do debate sobre saúde mental
Psiquiatra destaca sinais de alerta e orienta sobre como oferecer apoio a pessoas que estão em sofrimento psíquico

Arte: Arte: giovanna

A psiquiatra Isabel Perini, do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), reforçou a importância do Setembro Amarelo, campanha nacional de conscientização e prevenção ao suicídio. Segundo ela, é fundamental ampliar o debate sobre saúde mental, combater estigmas e incentivar a busca por ajuda especializada. 

"A campanha do Setembro Amarelo visa quebrar os tabus que cercam o tema, reduzir o estigma social e incentivar as pessoas que enfrentam sofrimento psíquico a procurarem apoio especializado", afirmou.

De acordo com a psiquiatra, o comportamento suicida é complexo e não está associado a uma única causa. Estudos médicos apontam que a maioria dos casos de suicídio envolve transtornos mentais diagnosticáveis, como depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, entre outros.

"Ele resulta da combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais, como os transtornos mentais não tratados ou diagnosticados, uso de substâncias psicoativas, tentativa prévia e/ou histórico familiar de suicídio, entre outros", explicou.

Público afetado

Embora seja uma condição silenciosa, algumas mudanças no comportamento podem indicar que a pessoa está enfrentando dificuldades. Entre os sinais estão isolamento social repentino, descuido em hábitos de cuidado com a aparência e higiene pessoal.

Além disso, é preciso se atentar a falas ou comportamentos que possam indicar despedidas, como desejo de desaparecer, doações de bens de valor pessoal, mensagens de tom conclusivo ou afirmações de que a pessoa seria um fardo para os outros. 

De acordo com a psiquiatra, no Brasil, a taxa de suicídio entre homens é cerca de três a quatro vezes maior do que entre as mulheres. Segundo ela, um dos fatores que influenciam nessa diferença é o uso de métodos mais letais e a menor propensão dos homens a buscar ajuda. 

As mulheres, por outro lado, apresentam taxas significativamente mais altas de tentativas de suicídio e episódios de automutilação. Ainda segundo a especialista, entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio é uma das principais causas de morte. 

Prevenção

Ao identificar os sinais, a forma de abordagem deve ser cuidadosa. A pessoa deve ser ouvida com atenção e empatia, livre de julgamentos ou críticas que possam agravar seu estado de saúde mental. Também é importante validar seu sofrimento e oferecer apoio para que um profissional seja consultado. 

O que pode ser feito ao ajudar alguém:

- Ouvir com empatia, sem interromper e com atenção; 

- Validar o sofrimento, demonstrando que compreende a dor alheia;

- Oferecer apoio prático, auxiliando a pessoa a agendar uma consulta com um especialista;

- Garantir ambiente seguro, sem objetos que possam ser utilizados para automutilação. 

O que não pode ser feito ao ajudar alguém: 

- Não fazer julgamentos ou críticas como "Isso é falta de Deus" ou "Está fazendo isso para chamar atenção"; 

- Não minimizar a situação com conselhos vazios como "Vai passar" ou "Pense positivo";

- Não guardar segredo diante de risco à vida. Identifique e comunique a uma rede de apoio;

- Não desafiar a pessoa quanto à capacidade de executar o ato.

Pessoas que estiverem enfrentando momentos de angústia, ansiedade e pensamentos autodestrutivos podem entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV). O atendimento é gratuito, anônimo e está disponível 24 horas por dia através do telefone 188.

Além disso, é possível conversar com atendentes especializados por meio de chat, que pode ser acessado neste link.


Giovanna Aguiar - Dicom TJAL
imprensa@tjal.jus.br


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