Nesta quinta-feira (23), o Programa Cidadania e Justiça na Escola (PCJE) promoveu a palestra “Conhecer para incluir”, que tratou da conscientização acerca do Espectro Autista (TEA). A atividade foi realizada no auditório do Pleno do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) e reuniu cerca de 200 estudantes da rede pública.
Para o aluno do 9º ano da Escola Municipal Dr. José Haroldo da Costa, Eduardo Alves, a ação teve uma importância singular, já que ele tem autismo e sabe bem como é o cotidiano de alguém com o transtorno. Eduardo ressaltou que palestras sobre o tema acabam facilitando a relação com seus colegas na sala de aula.
“Tem muitos alunos que ainda não sabem como é o comportamento dos autistas. A palestra é importante tanto para eles como para a gente, que é autista, para ter uma convivência melhor”, afirmou.
O jovem estudante também disse que seus amigos já procuram entender sua condição e amenizar as possibilidades de episódios de desorganização sensorial, que é comum em pessoas com o transtorno.
“Tem certas brincadeiras que meus amigos já não fazem comigo, que quando eu chego na sala, eles param, justamente para eu não ter crises”, relatou.
A psicóloga infantil Gabriele Calixto foi a responsável por ministrar o evento. Com o objetivo de elucidar os assuntos relacionados ao autismo, a palestrante mencionou que o propósito da ação é conscientizar e ensinar o respeito às pessoas neurodivergentes.
“Nós conversamos e desmistificamos um pouco sobre o autismo com o objetivo de que os meninos consigam ter mais empatia, consigam ter mais consciência e respeito sobre causas tão importantes como essa”, disse Gabriele.
Estudantes de quatros escolas da rede pública acompanharam a palestra sobre o autismo. Foto: Maria Clara França
Vozes de quem convive com o TEA
Professora da Escola Estadual Anaías e mãe de um autista, Lidiane Cardoso relatou a vivência com o seu filho, que tem dificuldades para socialização. Ela também destacou a importância de um suporte para quem vive nessa condição, preferencialmente nas escolas.
“A vida do autista é muito difícil, eles precisam de suporte, tanto da família, como da comunidade e, principalmente, na escola, porque é um ambiente de convivência”, contou a educadora.
A estudante Maria Vitória, da Escola Estadual Cyro Accioly, destacou que com a atividade promovida pelo PCJE aprendeu que o autismo não é uma enfermidade.
“A importância de ter essa palestra sobre o autismo é para que as pessoas possam ser conscientizadas de que o autista não é um doente, mas sim uma pessoa que tem as suas limitações”, falou a aluna que tem deficiência visual.
Poder do acolhimento
Integrante do Programa Cidadania e Justiça, a pdagoga Conceição Marques explicou o valor do evento para o ambiente escolar, motivando os alunos a construírem um ambiente mais acolhedor e saudável.
“Mais do que conscientizar, queremos incentivar os alunos à ação para compreender melhor, acolher sem julgamentos e construir ambientes mais inclusivos, onde cada pessoa tenha espaço para se desenvolver e ser quem é, combatendo o estigma e o preconceito”, explicou.
Estudantes da Escola Municipal Dr. José Haroldo da Costa, Escola Municipal Tradutor João Sampaio, Escola Estadual Professora Anaías de Lima Andrade e do Centro Estadual Cyro Accioly participaram da atividade.
Artur Henrique – Ascom/Esmal