Na noite de segunda-feira (12), o Clube do Livro Direito e Literatura comemorou o seu 5º aniversário. A celebração reuniu membros atuais e ex-participantes do Clube, e contou com a presença especial do escritor Stênio Gardel, que dialogou sobre sua obra ‘A palavra que resta’, vencedora do prêmio National Book Awards, uma das maiores premiações norte-americanas de literatura.
No romance, o autor usa uma linguagem poética e introspectiva para refletir sobre o peso das palavras, a importância da autoaceitação e o impacto do tempo na formação da identidade. A narrativa gira em torno de Raimundo, um homem idoso do interior do Nordeste, que decide deixar o analfabetismo para conseguir, depois de mais de 50 anos de espera e preparação emocional, finalmente ler a carta que recebeu de seu amor da juventude, Cícero.
Durante o evento, Stênio Gardel destacou a importância de iniciativas como o Clube do Livro dentro do sistema de justiça. Para ele, a literatura oferece a oportunidade de servidores e magistrados expandirem suas perspectivas, indo além da visão técnica e formal das questões com que lidam diariamente em suas rotinas de trabalho.
“A discussão de obras literárias em grupo proporciona outras formas de enxergar e de viver o mundo. É um jeito de conhecer sobre as diferentes formas de viver, as diferentes formas de se relacionar”, ponderou.
Participação ativa dos membros
Entre os participantes do clube, Maurício Santana, que frequenta o grupo há três anos, destacou o acolhimento que sentiu vindo dos colegas desde o início. "Desde quando eu entrei, enquanto estagiário, fui muito bem recebido. Aqui eu me sinto muito abraçado e sinto que a minha presença é desejada", destacou.
Ele compartilhou, ainda, como a leitura de ‘A palavra que resta’ o impactou pessoalmente. "Eu, enquanto homem gay, me sinto atravessado por essa história de diversas maneiras, seja pelos personagens, seja pelo autor que compartilhou um pouco da vida e do seu processo criativo conosco”, revelou Maurício.
Taís da Rocha Ribeiro, servidora da 6ª Vara Cível da Capital, também expressou sua satisfação em fazer parte do clube. "A melhor parte de ser servidora do Poder Judiciário de Alagoas é fazer parte do Clube do Livro", celebrou.
O Clube do Livro Direito e Literatura, idealizado pelos servidores do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) Mirian Alves e Gustavo Tenório, faz parte do projeto Justiça que Lê, que tem o apoio da Presidência do Judiciário alagoano. No mês de abril deste ano, o Clube foi aprovado para ingressar no Banco de Boas Práticas do Poder Judiciário.
Com o Clube, o Tribunal tem o objetivo de proporcionar aos servidores e juízes do TJAL uma imersão em obras literárias que abordam temas relacionados ao universo jurídico e social. Nos encontros se promove um ambiente de reflexão crítica e troca de ideias, com incentivo ao hábito da leitura.
Segundo Mirian Alves, diretora da Biblioteca Geral do Poder Judiciário, o encontro com Stênio Gardel foi um presente de aniversário para cada integrante do clube.
“A oportunidade de termos a presença tão afetuosa e generosa do Stênio, interagindo, fazendo comentários, respondendo às nossas perguntas, encurtando a distância entre autor e leitor foi uma experiência muito estimulante e especial”, elogiou.
Ao longo desses nove ciclos de existência, os leitores do grupo já conheceram 54 obras. No décimo ciclo, serão discutidos textos de autores e autoras latinos. Os encontros ocorrem mensalmente e as inscrições para fazer parte do grupo acontecem a cada ciclo de seis obras lidas. Há ainda vagas rotativas, nas quais pessoas interessadas em debater uma obra específica em uma reunião pontual podem solicitar a participação por meio de formulário.
Carolina Amancio – Ascom/Esmal
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