“A troca de ideias sobre esse livro teve um significado especialmente relevante, tendo em vista que a temática do aborto é um problema de ordem mundial, e que não escolhe classe social, condição econômica e cor da pele.”. A declaração é de Ana Suelen Porto, servidora do TJAL, a respeito do livro O Acontecimento. A obra da autora francesa e vencedora do prêmio Nobel de Literatura, Annie Ernaux, foi selecionada para discussão no Clube do Livro Direito e Literatura.
O encontro, que marcou a primeira participação de Suelen em reuniões do clube, foi realizado no Café Literário da Esmal. A discussão acerca de O Acontecimento marca mais um livro do ciclo Leia Mulheres, no qual os integrantes debatem apenas obras escritas por autoras do gênero feminino.
O debate foi marcado pelas temáticas abordadas na leitura, como questões sobre o aborto, violência obstétrica, direitos femininos e conflitos de classe. Ao longo da discussão, os integrantes traçaram paralelos entre os relatos do livro e a realidade atual no Brasil.
O livro percorre uma experiência da vida da própria autora, em busca de realizar um aborto clandestino na França dos anos 60, onde até mesmo os métodos contraceptivos eram ilegais. A partir da narrativa de Ernaux, os membros do Clube do Livro puderam discutir, por meio de pontos de vista diferentes, a respeito das temáticas abordadas pela autora.
“Minha opinião a respeito do livro divergiu da grande maioria dos presentes. Confesso que não tinha intenção de ler por conta da temática, mas depois, despida dos meus preconceitos, abri minha mente para entender o que a autora tinha a expor sobre o assunto”, contou Suelen.
Para Mirian Alves, diretora da Biblioteca Geral do Judiciário e mediadora dos encontros do Clube do Livro Direito e Literatura, a pluralidade de ideias sempre será bem vinda nas reuniões. Ela disse ainda que, apesar das opiniões divergentes, o respeito a cada uma delas é essencial para manter as discussões saudáveis.
“Foi muito simbólico discutir essa obra na semana do dia da mulher. É importante conhecer as experiências das mulheres e romper com o silenciamento sobre este tema, para que possamos construir discussões mais embasadas e despidas de preconceito”, afirmou a diretora da Biblioteca.
O Clube do Livro Direito e Literatura é uma iniciativa do Projeto Justiça que Lê, cujo objetivo é formar uma comunidade de leitores dentro do Judiciário, por meio de práticas de incentivo à leitura. A cada mês, uma obra diferente é discutida entre os integrantes. No próximo encontro, os membros irão discutir acerca do livro 'Eu que Nunca Conheci os Homens', da autora Jacqueline Harpman.
Mauricio Santana - Esmal TJAL
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