Nesta segunda-feira (6), o Clube do Livro Direito e Literatura se reuniu para discutir a obra Cidadã de Segunda Classe, da escritora e socióloga nigeriana Buchi Emecheta. Por meio da narrativa ficcional, a autora expõe problemas sociais como racismo, machismo, xenofobia e o colonialismo europeu moderno contra países africanos.
“As palavras resistência, resiliência e esperança resumem bem esse livro. Desistir nunca foi uma opção para a protagonista, e isso foi o que mais marcou. Apesar disso, é uma leitura que não segue a expectativa de um final feliz. É uma realidade bem crua”, afirmou Cristiane Souto, aluna da pós-graduação integrada da Escola Superior da Magistratura (Esmal).
Realizada no Café Literário da Esmal, a reunião foi a primeira participação de Cristiane como integrante do Clube do Livro Direito e Literatura. Os membros discutiram mais uma obra do ciclo ‘Leia Mulheres’, marcado pelo debate de livros escritos por autoras do gênero feminino.
No encontro, os membros debateram as problemáticas abordadas na obra de Emecheta, traçando paralelos com a realidade brasileira e até mesmo alagoana.
O livro percorre a vida de Adah, uma mulher nigeriana que desde criança sonha em morar no Reino Unido na busca de escapar das opressões sofridas por ser mulher em sua cultura. Ao chegar ao país, que é descrito em sua terra como uma espécie de paraíso, a protagonista se depara com uma realidade de machismo, racismo, xenofobia e submissão por seus companheiros de raça, denominados socialmente como cidadãos de segunda classe.
“Apesar da densidade da leitura, que aborda diversos temas bem pesados, o encontro conseguiu debater os assuntos de maneira leve e fluida. A interação entre os membros tornou isso possível, trazendo um ambiente de discussão bastante saudável”, afirmou Mirian Alves, diretora da Biblioteca Geral do Judiciário e coordenadora do Clube do Livro.
Mirian disse ainda que espera que a próxima reunião traga um debate tão saudável quanto o de Cidadã de Segunda Classe. As reuniões do Clube do Livro debatem uma obra diferente a cada mês. No próximo encontro, os integrantes discutirão acerca do livro ‘O Acontecimento’, da escritora francesa Annie Ernaux.
O Clube do Livro Direito e Literatura é uma iniciativa do Projeto Justiça que Lê, cujo objetivo é criar uma comunidade de leitores no Judiciário por meio de incentivo à leitura.
Mauricio Santana - Ascom Esmal/ TJAL
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