A Escola Superior da Magistratura de Alagoas (Esmal) realizou, nesta quinta-feira (24), o segundo encontro da leitura guiada de Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves. A atividade, promovida por meio do projeto Justiça que Lê, da Biblioteca Geral do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), reuniu os participantes para a discussão dos capítulos 4, 5 e 6 da obra.
A leitura avançou na trajetória de Kehinde e nas experiências vivenciadas pela personagem após sua chegada ao Brasil. Os capítulos permitem acompanhar diferentes dimensões da vida de uma mulher negra escravizada, entre o trabalho, a maternidade, os vínculos afetivos e a preservação de elementos de sua identidade e de sua ancestralidade.
Durante o encontro, também foram retomados acontecimentos e datas importantes para a compreensão do período histórico retratado no romance. A contextualização permitiu relacionar a trajetória individual de Kehinde às transformações e aos acontecimentos que marcaram o Brasil naquele período.
Resistência
As diferentes formas de resistência construídas por Kehinde também estiveram entre os pontos discutidos. Na narrativa, a resistência não se limita ao enfrentamento direto da escravização, mas aparece em escolhas e estratégias utilizadas pela personagem para preservar sua autonomia, sua memória, suas relações e aspectos de sua cultura.
A maternidade ganha destaque nesse trecho da obra. O nascimento do segundo filho de Kehinde, Omotunde, também chamado de Luiz, marca um novo momento em sua trajetória. A partir do personagem, o romance estabelece uma aproximação com a figura histórica de Luiz Gama, importante nome da luta contra a escravidão e pela liberdade no Brasil.
A discussão dos capítulos também contribuiu para observar como Ana Maria Gonçalves articula experiências pessoais e acontecimentos históricos ao longo da narrativa. A trajetória de Kehinde é apresentada em diálogo com um período marcado pela escravização da população negra e pelas diferentes estratégias de resistência desenvolvidas por pessoas submetidas a esse sistema.
O encontro foi conduzido pela professora Luíza Silva. Foto: Maria Clara França - Ascom/Esmal
Justiça que Lê
O projeto Justiça que Lê é desenvolvido pela Biblioteca do TJAL com o objetivo de estimular a leitura e promover espaços de discussão sobre obras literárias. A leitura guiada de Um Defeito de Cor seguirá no mês de outubro, com um novo encontro no dia 29, para acompanhar aos próximos passos da trajetória de Kehinde e sua relação com a construção do Brasil de hoje.
Maria Clara França - Ascom/Esmal