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Notícia
Esmal - 26/08/2026 - 06:08:52
Da proteção das vítimas à transformação dos homens: Seminário debate caminhos no combate à violência doméstica
Acolhimento na Casa da Mulher Alagoana, grupos reflexivos para autores de violência e os desafios da masculinidade marcaram a tarde de debates da Esmal

Seminário Mulheres e Justiça foi realizado nesta quarta-feira (26) em celebração aos 20 anos da Lei Maria da Penha Seminário Mulheres e Justiça foi realizado nesta quarta-feira (26) em celebração aos 20 anos da Lei Maria da Penha Foto: Artur Henrique

O Seminário Mulheres e Justiça – 20 anos da Lei Maria da Penha foi encerrado na tarde desta quarta-feira (26), após uma sessão de debates sobre o enfrentamento à violência contra a mulher. Realizado no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL), o evento reuniu especialistas, magistrados e profissionais do Poder Judiciário.

O painel com o tema "Equipamentos que concretizam a proteção à mulher em AL: a Patrulha Maria da Penha e a Casa da Mulher Alagoana" abriu a tarde.

A diretora da Casa da Mulher Alagoana do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), Paula Lopes, apresentou o funcionamento, perspectivas e desafios de uma política de proteção integral.

Na palestra, ela explicou de modo detalhado como funciona a rede da Casa da Mulher Alagoana, serviço que já foi premiado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e é responsável por acolher e proteger as mulheres vítimas de violência.

"Temos uma sala onde a mulher pode registrar boletim de ocorrência, além do alojamento temporário, onde a mulher pode permanecer a partir dessa denúncia, se ela não tiver para onde ir ou se ela estiver sob grave ameaça", destacou.

A diretora da Casa da Mulher também explicou como uma vítima pode recorrer ao acolhimento nesse espaço.

"Ela tanto pode ir sozinha, e não somente para denunciar, mas para tirar dúvidas, quanto pode ir através de alguma instituição como Conselho Tutelar, Conselho da Mulher, Secretaria da Mulher. Também pode ser encaminhada por uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de sua região", esclareceu.

Paula Lopes palestrou sobre o funcionamento da Casa da Mulher Alagoana. - Foto: Artur Henrique - Ascom/Esmal

Reeducação e grupos reflexivos

"Masculinidade em transformação: o papel dos homens na construção de uma cultura de paz" foi o tema do segundo painel da tarde. O promotor de justiça do Ministério Público do Estado do Paraná, Thimotie Aragon, foi um dos palestrantes.

"Falamos de como é necessário trabalharmos com as políticas públicas para homens autores de violência na perspectiva da prevenção e da reeducação. Para que eles passem a romper aquele comportamento que viola direitos humanos de mulheres", explicou.

Para o promotor, a realização de um seminário que celebra os 20 anos da Lei Maria da Penha é de grande valor, principalmente para fortalecer ainda mais o combate à violência doméstica.

"Embora os índices de violência contra a mulher continuem crescendo em nosso país, eu sigo otimista de que nós conseguiremos melhorar isso, enquanto o sistema de justiça fornecer respostas adequadas aos problemas", disse.

Modelos de masculinidade

No mesmo painel, a psicóloga doutora e especialista em terapia cognitivo - comportamental, Arielle Sagrillo Scarpati, se aprofundou em relação ao tema "Masculinidades em Crise: misoginia, violência e os desafios da transformação subjetiva".

Na sua fala, a psicóloga abordou questões que permeiam o comportamento masculino e como isso se desdobra em violência, além de refletir sobre maneiras de transformar esse cenário.

"Fizemos uma interlocução entre o que são os modelos de masculinidade, quais as expectativas que a gente deposita sobre meninos e homens com relação a como eles deveriam se comportar", falou.

Com mais de dez anos atuando em intervenções clínicas e sociais no âmbito da violência de gênero, masculinidade e saúde mental, Arielle avaliou a relação entre homem e mulher nos últimos anos.

"É quase como um pêndulo. Vemos um conservadorismo nas relações que se manifesta na forma de violência, para logo após observarmos uma melhora desse conservadorismo. Depois de um tempo, no entanto, a gente observa o que a gente chama de um movimento de backlash, ou seja, um retrocesso com relação a essas dinâmicas comportamentais", analisou.

Cerca de 300 participante estiveram presentes no Seminário Mulheres e Justiça. - Foto: Claudemir Mota - Ascom/MPAL

Capacitação e engajamento do Judiciário

O evento foi promovido pela Escola Superior da Magistratura de Alagoas (Esmal), em parceria com a Coordenadoria da Mulher do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), a OAB/AL , a Associação dos Municípios Alagoanos (Ama) e a Escola Superior do Ministério Público de Alagoas (ESMPAL).

Cerca de 300 servidores e magistrados do TJAL, além de estudantes e membros da comunidade em geral participaram dos diálogos.

O estudante de Direito do 3º período, Luis Felipe de Castro, comentou sobre o papel do homem em aprender e combater a violência contra as mulheres.

"Precisamos entender o lado de quem passa por isso, que precisa de ajuda e perceber o que podemos fazer para ajudar", falou.

Artur Henrique - Ascom/Esmal

imprensa@tjal.jus.br


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