Como a Justiça Restaurativa recupera e ressocializa pessoas? Fabrício Paulo Laurindo da Silva e José Alexsandro da Silva relataram, numa conversa franca com novos facilitadores em Justiça Restaurativa, as transformações que vivenciaram por meio do método. O diálogo aconteceu no encerramento da formação do grupo, nesta terça-feira (28), na Escola Superior da Magistratura de Alagoas (Esmal).
Na ocasião, Fabrício contou que após sair do sistema prisional e passar pelo projeto conduzido pelo Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), entendeu que precisa levar a vida de uma forma mais harmoniosa.
“No começo eu não me sentia à vontade para participar das dinâmicas com a Justiça Restaurativa dentro do sistema carcerário. Mas quando iniciei, fui entendendo os propósitos e aprendi a lidar comigo mesmo e, principalmente com o próximo”, relembrou Fabrício.
Ele contou que hoje se considera uma pessoa totalmente reestruturada e que seu maior objetivo e jamais voltar ao sistema prisional.
“Quero fazer tudo diferente. Se tem uma escola da vida, é lá. Quando você sai, olha para o céu, respira fundo e vê que realmente sobreviveu ao fim do mundo”, observou.
José Alexsandro, por sua vez, revelou ser hoje uma pessoa totalmente diferente daquela de quando conheceu a Justiça Restaurativa. Ele sentiu que com o acolhimento dos facilitadores finalmente pôde expressar seus sentimentos e aprender a ter empatia.
“Hoje eu sei o que é me colocar no lugar do próximo. Isso para mim foi mais do que um aprendizado porque aprendi a viver, aprendi a ser uma pessoa melhor”, contou.
José Alexandro (de amarelo) e Fabrício Paulo (de preto) relataram como foi passar pela Justiça Restaurativa. Foto: Itaciara Albuquerque
Novos facilitadores
O desembargador Tutmés Airan, diretor-geral da Esmal e coordenador do Nupemec, acompanhou o momento e destacou a necessidade de ter profissionais capacitados para que essas transformações de vida sejam possíveis.
“A vida dentro do presídio não é fácil. E restaurar pessoas em um ambiente prisional é um desafio enorme. Esses dois reeducandos estarem aqui contando as suas experiências é a prova que temos conseguido mudar trajetórias”, disse.
Com a finalização do treinamento, os servidores formados pela Esmal seguirão na tarefa de solucionar conflitos de uma maneira saudável, utilizando da prática restaurativa.
“Quanto mais gente vai praticando e disseminando essa ideia, mais paz conseguimos construir ara a sociedade”, resumiu o desembargador Tutmés.
Desembargador Tutmés Airan e a supervisora-geral do Nupemec, Moacyra Guañabens, compareceram no último dia do treinamento. Foto: Itaciara Albuquerque
Moacyra Guañabens, supervisora-geral do Nupemec, explicou que os novos facilitadores atuarão como voluntários e levarão a prática para áreas como saúde, sistema socioeducativo e até empresas privadas.
“Eles vão assinar um termo de voluntariado e vão poder expandir o nosso trabalho da restaurativa aqui no estado”, falou Moacyra. Ela ressaltou que após 80 horas de aulas teóricas e práticas, os participantes saem capacitados e com muita vontade de ajudar pessoas.
A formação promovida pela Esmal iniciou sua fase teórica no dia 13 de julho e seguiu até o dia 16. Já a parte prática foi realizada nos dias 20, 21, 27 e 28 de julho.
Ascom/Esmal