Apresentar o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) para estudantes. Foi com essa intenção que o Programa Cidadania e Justiça na Escola (PCJE) promoveu, nesta quarta-feira (28), a visita de 30 crianças da Escola Estadual Benedito Moraes ao Centro de Cultura e Memória do Judiciário (CCM). Eles também participaram de uma roda de conversa sobre o funcionamento da Justiça no Pleno do Tribunal.
A secretária da 1ª Câmara Cível, Margarida Maria Melo e a magistrada Carolina Valões conduziram o momento de diálogo com as crianças.
Para a juíza Carolina, ver tantas crianças, estudantes do 6º ano da escola localizada na Ponta da Terra, em Maceió, interessadas em aprender a respeito da Justiça reforça a necessidade de o Judiciário se integrar cada vez mais às comunidades.
“Elas fizeram perguntas inteligentes, cheias de sinceridade e significado. Algumas falavam sobre situações que elas mesma enfrentam. Procurei responder a cada uma de forma simples e com muito cuidado e carinho”, disse.
Já a servidora Margarida Maria Melo destacou o entusiasmo das crianças para o contato com o Judiciário, momento que é tão necessário quanto raro para esse grupo. Segundo ela, a roda de conversa buscou tirar dúvidas sobre o funcionamento da Justiça e desconstruir ideias estigmatizadas criadas por filmes e pelo imaginário social.
“Alguns diziam que queriam ser juízes ou advogados. Oportunizar encontros aqui no TJAL marca a vida deles e pode traçar realmente o futuro que eles desejam”, afirmou.
Exposição no CCM
Os estudantes seguiram para o CCM, onde acontece a exposição “Memórias em circulação: a Justiça e a História em moedas e cédulas", na qual estão em destaque moedas e cédulas raras, incluindo peças históricas com mais de dois mil anos, exemplares de trocas primitivas, moedas sociais e peças comemorativas.
Dentre os mais animados com a visita e para conhecer o máximo do TJAL, estavam João Lucas Santos de Lira e Sofia Raquel Santos da Silva, de 11 anos, amigos de sala de aula desde os primeiros anos escolares.
Apesar da pouca idade, eles já afirmam que querem trabalhar com a Justiça. Sofia Raquel quer ser advogada e João Lucas, juiz. Após a visita, tiveram ainda mais certeza disso.
“Eu vejo muitas pessoas que são vítimas e não conseguem se defender, quero poder defender aqueles que são vítimas e que não conseguem fazer isso sozinhas”, disse a menina.
Para Lucas, a experiência ficará registrada para sempre em sua memória. “Tem muitas coisas que eu estou vendo que eu não conhecia antes. Gostei muito das moedas, a que mais gostei foi a da Coreia”, disse o jovem.
Sofia Raquel e João Lucas têm sonho de seguir carreira no Judiciário . Foto: Artur Henrique
Extensão
Embora o colégio não seja um dos 13 contemplados pelo PCJE para atividades ao longo do ano letivo, a ação extra foi viabilizada por meio da Secretaria de Estado da Educação de Alagoas (Seduc), que é parceira do programa.
A iniciativa integra as atividades do projeto de extensão “Respeitar para conviver”, desenvolvido por universitários do Centro Universitário de Maceió (UNIMA/Afya).
Líder do grupo, a acadêmica de Direito Aline Malta estava realizada por conseguir levar as crianças ao TJAL. Ela explicou que o projeto vem sendo desenvolvido desde o começo do ano.
“Trouxemos os alunos para eles verem onde realmente a justiça ocorre. Eles vieram tão felizes, vibrantes, que aquela felicidade transpassou para todos do grupo”, contou a universitária.
O professor de geografia, Berlands Luciano, acompanhou a turma na visita e destacou a oportunidade dos alunos conhecerem a história do judiciário do estado, além de frisar o bom comportamento e interesse das crianças.
“A gente vem trabalhando essa questão da cidadania e do respeito. Estar aqui com eles para essa experiência muito boa consolida esse aprendizado”, relatou o docente.
Programa Cidadania e Justiça na Escola (PCJE)
O PCJE foi instituído pelo TJAL em outubro de 2001 e, desde então, tem sido um dos principais aliados do Judiciário na disseminação de conhecimento nas escolas públicas do estado. Desenvolvido pela Escola Superior da Magistratura de Alagoas (Esmal), o programa reúne profissionais de diversas áreas para realizar ações educativas voltadas à promoção da cidadania, ética, justiça e direitos humanos junto a estudantes do Ensino Fundamental e Médio da rede pública estadual e municipal.
Entre suas iniciativas, o PCJE promove palestras, projetos educativos, campanhas solidárias, concurso de redações, além de visitas guiadas a espaços públicos como museus, teatros, bibliotecas, orla marítima, articulando experiências práticas com estímulo ao pensamento crítico, com foco na aproximação entre a sociedade e o sistema de justiça.
O propósito central do programa é romper com a visão do Poder Judiciário como instância meramente punitiva, posicionando magistrados e servidores como agentes de diálogo junto às comunidades escolares.
Artur Henrique e Carolina Amancio - Ascom/Esmal