Com o objetivo de promover a reflexão sobre o papel da mulher no mercado de trabalho, o Programa Cidadania e Justiça na Escola (PCJE) promoveu, nesta segunda-feira (30), o bate-papo Lugar de mulher é onde ela quiser e a profissão é um desses espaços em parceria com a Coordenadoria da Mulher do Poder Judiciário de Alagoas. A atividade foi realizada no Pleno do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) e reuniu cerca de 250 estudantes de escolas das redes municipal e estadual.
Durante o bate-papo, foram discutidos temas como a baixa representatividade feminina em determinadas carreiras, a sobrecarga de trabalho, especialmente relacionada às funções domésticas, e a importância de promover igualdade de oportunidades de modo a evitar que esses desafios se transformem em barreiras.
A professora e mestre em Direito, Andrea Santa Rosa, uma das mediadoras da roda de conversa, destacou a importância de abordar essas questões ainda na juventude.
Esses adolescentes são a nova geração. Daqui a pouco eles estarão no mercado, eles vão se deparar com essas dificuldades e serão responsáveis também por lidar com elas e por tentar vencê-las, tanto os meninos como as meninas".
Coordenadora da Mulher, a juíza Priscilla Cavalcante ressaltou que, com debates como esse, é possível romper paradigmas: "Por meio desse diálogo, a gente tem esse objetivo de quebrar alguns padrões, alguns conceitos prévios e de ampliar os horizontes".
Estudantes participaram ativamente do debate, compartilhando opiniões e experiências sobre igualdade de gênero. Foto: Artur Henrique - Ascom/Esmal
Para a coordenadora do PCJE, a juíza Nathalya Ataíde, os entraves que existem na participação feminina em determinadas carreiras ainda está diretamente ligada à sobrecarga do trabalho doméstico.
"Conseguimos ouvir a perspectiva dos alunos. O PCJE acredita que é na conversa e no debate que a gente consegue gerar conscientização nesses estudantes, destacou a magistrada. Segundo ela, esse será o foco das demais palestras ao longo de 2026.
Igualdade de gênero e aproximação com o Judiciário
Durante a atividade, os estudantes também tiveram espaço para compartilhar percepções, dúvidas e experiências, o que tornou o diálogo mais próximo e participativo.
Anne Kamile, de 16 anos, aluna do 9º ano da Escola João Sampaio, avaliou o encontro como um momento de aprendizado e reflexão sobre a igualdade de gênero.
A palestra mostrou que as mulheres não devem se sentir inferiores nem ser submissas aos homens. Acho que esse tipo de debate deveria acontecer mais vezes, afirmou a estudante.
A psicóloga da Escola João Sampaio, Ana Patrícia, considerou o momento importante, principalmente por levar assuntos do Poder Judiciário para os estudantes.
"Esses momentos são ricos porque também trazem uma aproximação do Judiciário com a escola. Ele desmistifica a questão do poder. Os alunos interagiram muito bem, tiraram dúvidas, participaram. Foi muito enriquecedor", disse a psicóloga.
Participaram do encontro alunos das escolas municipais Pompeu Sarmento, João Sampaio e Silvestre Péricles, além das escolas estaduais Edson Bernardes, Mário Broad e Cyro Accyoli.
Maria Clara França - Ascom/Esmal